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dissociação

  de vez em quando, não existo: me observo do lado de fora, ainda que sem a distância física. conheço a sensação de me afogar, portanto, ando pelas beiradas de mim, segurando as barras, mas ando, ainda que com medo. uma piscina funda e sem chão visível. sem eira, nem beira. e ali, ali mesmo, mesmo que apenas por um momento: não existo. procuro por sinais, placas, e gatos: nenhuma informação. e se não sou neste momento, então, qual é o contrário de ser? e mais uma vez, avistando-me de longe, sinto medo de mim. medo do que é ser, e do contrário de ser. e observo o sentir sem sentir, que não cabe em mim. o porque, não sei. funcionou com outro alguém, com todos, menos em mim. evito minha dor, saindo de mim. me observo de longe, sem eira, nem beira, e ali mesmo, mesmo que apenas por um momento: não existo.  

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