O monólogo da falta.

 Já faltavam três horas para dizer tchau. E aquele tchau – novamente – iria me despedaçar em pedacinhos bem minúsculos, me tornando pequena ao ponto de caber dentro de uma caixa de fósforo, ou em cima de uma pena de pássaro que não sairia do lugar nem mesmo com a força do mais forte vento, devido ao peso em cima de si, que a impedia de mover, fazendo o tempo parar. E então, parece que somos feitos de água, ou de toda a matéria ao redor, e a confusão vem e nada mais faz sentido. Lido sempre com isso, mas sei que a próxima vez sempre será pior do que a que se antecede. E é. Se não escorre pelos olhos, escorre pela pele: mas sempre transbordando feito cachoeira, por algum orifício da alma. 

Tudo na vida passa, mas a saudade não passa. Ela te dá tréguas: alguns dias de paz e entretenimento, sempre retornando em algum momento aleatório - mas nem sempre tão aleatório assim - relembrando suas decisões, e reaparecendo periodicamente a cobrar o preço a ser pago por elas, sem se importar com suas desculpas e nem aceitar atraso, porém sempre com juros muito altos.

A saudade arranca pedaços de você e os deixa pendurados, sem arranca-los completamente. 

Não há moral para história alguma, apenas o resultado ou consequência de suas escolhas, movimentando o balanço da vida.

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